Arena Batistão: a história do maior estádio de Sergipe
Destinos

Arena Batistão: a história do maior estádio de Sergipe

16 de junho de 20268 min de leituraPor Redação Guia de Sergipe

Do gol de Pelé na inauguração ao padrão FIFA, a Arena Batistão é mais que um estádio: é a memória viva do futebol sergipano.

Existe um lugar em Aracaju onde a memória do futebol sergipano está guardada em cada tijolo. A Arena Batistão, cujo nome oficial é Estádio Estadual Lourival Baptista, abriu as portas em 9 de julho de 1969 e desde então vem sendo palco das emoções mais intensas do esporte no estado. Não é só um estádio. É uma referência cultural, um ponto de encontro de gerações e o maior palco do futebol sergipano.

Uma inauguração com Pelé

Poucas inaugurações de estádio no Brasil tiveram um jogo de abertura com esse peso. No dia 9 de julho de 1969, mais de 45.000 pessoas foram ao Batistão para assistir à Seleção Brasileira goleando o Selecionado Sergipano por 8 a 2. No gramado estavam Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson, Carlos Alberto Torres e Félix, o mesmo grupo que um ano depois seria campeão mundial no México.

A cena é quase de cinema: torcedores escalaram os mastros dos refletores para não perder nada do espetáculo. O público de 45.000 pessoas ainda é o recorde histórico do estádio, marcando para sempre o nascimento de um ícone do futebol do Nordeste.

O que poucos sabem é que o Batistão foi construído em tempo recorde: a pedra fundamental foi lançada em 21 de janeiro de 1968 e a obra foi entregue em julho de 1969, pouco mais de um ano depois. Mais de 200 operários, a grande maioria sergipanos, trabalharam de manhã à tarde para cumprir o prazo. O estádio foi erguido no mesmo terreno onde existia o antigo estádio estadual de Aracaju.

Luiz Gonzaga estava na festa da inauguração e compôs o Hino do Batistão em parceria com o jornalista Hugo Costa. O hino menciona não só o futebol, mas também a escola que durante décadas funcionou debaixo das arquibancadas, a Escola 8 de Julho.

A reforma que trouxe o padrão FIFA

Em 2013, com o Brasil se preparando para sediar a Copa do Mundo de 2014, o Batistão entrou em uma grande reforma. O investimento foi de quase R$ 26 milhões e o resultado foi reinaugurado em 4 de fevereiro de 2015. A reforma transformou o velho estádio na arena multiuso que existe hoje.

Aracaju não sediou jogos da Copa 2014, mas a cidade entrou no evento de uma forma especial: o Batistão foi escolhido como centro de treinamento oficial da Seleção da Grécia. Durante o Mundial, a delegação grega treinou no gramado sergipano, colocando o Batistão no mapa esportivo internacional.

A modernização foi completa: vestiários climatizados com espaços separados para árbitros, sistema de drenagem renovado, placar eletrônico de 25 metros quadrados, catracas eletrônicas, cabines de imprensa climatizadas e um sistema de sonorização totalmente novo. A Arena Batistão ficou no padrão exigido para eventos nacionais e internacionais.

A estrutura atual da Arena

Hoje a Arena Batistão tem capacidade para 15.575 pessoas, com assentos fixos em toda a extensão das arquibancadas. O gramado natural mede 110 x 75 metros, com sistema de drenagem que mantém boas condições mesmo após chuvas intensas.

Para acessibilidade, o estádio conta com rampas de acesso, seis banheiros adaptados para pessoas com deficiência, piso tátil e duas áreas reservadas para cadeirantes. Os dois acessos principais ficam na Rua Campo do Brito, que é a entrada principal, e na Rua Cedro.

Uma curiosidade que pouca gente sabe: debaixo das arquibancadas ainda existem as dependências onde funcionou a antiga Escola 8 de Julho. Hoje esses espaços abrigam as sedes de diversas federações esportivas de Sergipe, dando ao estádio um uso que vai bem além dos dias de jogo.

Os times do Batistão

O Batistão é a casa do futebol de Sergipe. A Associação Desportiva Confiança, o clube com maior torcida do estado, usa o estádio como praça principal e já disputou a Série B do Campeonato Brasileiro aqui. O Club Sportivo Sergipe, um dos times mais tradicionais do estado, também manda jogos no Batistão, assim como o Cotinguiba Sport Club e outras equipes que disputam o Campeonato Sergipano.

Em dias de clássico entre Confiança e Sergipe, o Batistão enche e a atmosfera é daquelas que ficam na memória. Para quem quer entender o futebol sergipano de verdade, vivenciar um jogo aqui é experiência obrigatória.

Além do futebol

A Arena Batistão vai além das partidas. Ao longo dos anos, o estádio recebeu shows musicais e grandes eventos. A cerimônia de abertura dos Jogos da Primavera, o maior evento de esporte escolar de Sergipe, acontece tradicionalmente no Batistão.

Em fevereiro de 2024, o estádio ganhou atenção nacional quando o Bangu-RJ escolheu o Batistão para mandar um jogo do Campeonato Carioca contra o Flamengo. Os 15.575 ingressos esgotaram e a bilheteria foi de mais de R$ 3 milhões. O Flamengo venceu por 3 a 0, mas o Batistão foi o grande protagonista do dia, mostrando que o estádio tem fôlego para receber o futebol de elite do país.

Como chegar à Arena Batistão

O estádio fica na divisa entre os bairros São José e Treze de Julho, no centro de Aracaju, com acesso principal pela Rua Campo do Brito. Várias linhas de ônibus atendem a região, com parada próxima no Largo da Imprensa, a uns 6 minutos a pé do estádio. De carro, o acesso é simples pela Avenida Beira Mar ou pelas ruas do centro de Aracaju.

Em dias de jogo, o trânsito nas ruas próximas é alterado pela SMTT. A dica é chegar com antecedência, principalmente em clássicos e jogos de grande público. As barracas de comida no entorno já são parte da experiência, com carne de sol, tapioca e petiscos sergipanos a preços populares.

Vale a visita mesmo sem jogo?

A área em volta do Batistão faz parte do coração de Aracaju, perto do centro histórico e de outros pontos da cidade. Em dias sem jogo, o estádio não abre para visitação, mas a região tem movimento de bares, restaurantes e o comércio do entorno. Para quem é fã de futebol e quer levar uma lembrança, as lojas dos clubes sergipanos costumam ter produtos oficiais por perto.

Com mais de 55 anos de história, o Batistão não é só o maior estádio de Sergipe. É um pedaço da identidade do estado, de uma cidade que aprendeu a torcer com Pelé em campo e que segue comemorando cada gol com a mesma intensidade de julho de 1969.